quarta-feira, 17 de março de 2010

Ovo: virou mocinho?

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image Durante muito tempo, ele foi considerado o vilão da saúde do coração. Afinal, estudos afirmavam que o ovo era o grande responsável pelo aumento nos níveis de colesterol do sangue. No início desse ano, porém, uma pesquisa realizada pela Universidade de Surrey, na Inglaterra, derrubou definitivamente essa tese. O artigo, publicado no boletim da British Nutrition Foundation (Fundação Britânica de Nutrição), garante que consumir um ovo por dia não causa alterações no colesterol em adultos saudáveis.

Mas como a notícia foi recebida no Brasil? “A pesquisa pegou todo mundo de surpresa, porque o ovo sempre foi um vilão. Mas o estudo foi bem conduzido e provou que o consumo moderado não traz prejuízos para a saúde”, afirma o coordenador do Selo de Aprovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcos Knobel.

“Hoje sabemos que é a ingestão de gordura saturada e não propriamente o colesterol dos alimentos que faz os níveis de colesterol sanguíneo aumentarem. Somente uma porcentagem do colesterol sanguíneo se origina da dieta”, explica a nutricionista Maria Gandini.

A gordura saturada é encontrada na gordura aparente das carnes, pele de aves, embutidos gordurosos, coco, leite integral e derivados. “O limite da ingestão dela é de até 10% das calorias totais da dieta, mas cai para 7% no tratamento da hipercolesterolemia (colesterol alto)”, diz o nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, Durval Ribas Filho.

Ovo faz bem, sim...
Mas, além de dar um sabor especial à refeição, que outras vantagens o ovo traz? De acordo com os médicos, a lista é grande. O ovo é uma importante fonte de proteínas e diversos nutrientes fundamentais ao organismo. A gema, por exemplo, possui vitamina A, que protege a pele e tem papel na função da retina; vitamina B12, que age na produção de hemácias; vitamina D, que auxilia a absorção do cálcio; e ferro, que fortalece o sistema imunológico. E o rol de nutrientes não pára por aí.

“O ovo é uma excelente fonte de colina, nutriente essencial para as células cerebrais. É um alimento que pode e deve ser consumido desde a infância, quando favorece o desenvolvimento intelectual, até idades avançadas, para prevenir danos a células cerebrais”, afirma a nutricionista Sandra Reis.

“A gema é rica em ácidos graxos poliinsaturados essenciais, que são gorduras importantes para o organismo. Entre eles está o ácido linoléico, também conhecido como ômega-6”, diz a nutricionista Flávia Pinto César.

Os benefícios do ovo não se restringem à gema. Segundo Maria Gandini, a clara também tem seus encantos. “Ela quase não possui gordura. É composta pela ovalbumina e pela conalbumina, dois tipos de albumina que representam cerca de 70% da proteína da clara. Além disso, fornece todos os aminoácidos necessários para o bom funcionamento do corpo”.

Preço e facilidade de ingestão também compõem a lista de vantagens do ovo. “A proteína dele tem um baixo custo quando comparada às outras. Também é um alimento de fácil mastigação, função limitada nas idades avançadas”, explica Wilson Salgado Filho, médico assistente da Unidade Clínica de Dislipidemias do Incor.

“Ela também é importante para manter ou incrementar reservas protéicas para atletas e na recuperação de cirurgias de estômago. O ovo, como um todo, é indicado aos vegetarianos como fonte de vitamina B12, ferro e proteínas”, diz Flávia.

E quanto ao ovo caipira? Há alguma diferença entre ele e o ovo de granja? Segundo Flávia, não. “Nutricionalmente falando, não existe diferença significativa. O que se sabe é que as galinhas de granja recebem alta carga de antibióticos e engordam em tempo curto, fugindo ao processo natural de desenvolvimento”.

...mas com moderação

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